sábado, 30 de junho de 2012

DEUS




 ‎(...) Não acredito em Deus porque nunca o vi. 
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!
(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
De que, por não saber o que é olhar para as cousas,
Não compreende quem fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)
Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.
Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus? 

Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.
E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?),
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.
in, O Mistério das Cousas, Alberto Caeiro

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Sol


O sol quando nasce é para tudo e todos.
Brilha, ilumina e aquece todos da mesma forma,
nós é que decidimos quanto queremos desse sol.
Não vivas na sombra, no escuro, no frio e na dúvida
escolhe a luz, sempre a luz.  
                      
                                                                              Nina

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Teia
Foto: Nuno Ramos

Na teia da vida
Temos a força de uma tempestade
e a delicadeza de uma gota de orvalho.
O segredo da felicidade está
em aceitar o que somos e
encontrar o equilíbrio
entre os extremos de nós próprios…
Texto: Nina

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Marchas e Flores

Esta noite fui, com os meus pais, ver as marchas de santo António a Lisboa.
As ruas estavam maravilhosamente agitadas, os sons animados misturavam-se com o brilho das lanternas e com as cores e cheiros da sardinha e dos manjericos.
Gostei muito de tudo o que vi, passear à noite é sempre mágico.
No regresso a casa, adormeci no banco de trás ao som das vozes alegres dos meus pais e do ronronar do carro.
Subitamente acordei, sem saber o motivo, mas o sono era tanto que devo ter adormecido de novo. Mais tarde, ouvi sirenes, pessoas a correr...senti que me levavam, mas voltei a adormecer.
Era estranho, sentia-me frio, estava com medo e queria os meus pais e não compreendia porque não abria os meus olhos nem chamava por eles.
Comecei a ficar aflito e a transpirar. Queria mexer-me e gritar e não era capaz. Que sonho estranho era aquele?
Naquele momento senti que uma mão quente e áspera, cheia de veias salientes, pegava carinhosamente na minha mão pequena e fria. Era uma mão grande como a do meu pai, mas não era a dele.
Senti-me melhor, aquele gesto deixou-me mais tranquilo. Apercebi-me, então, que estava, de pé, junto àquele homem de vestido castanho que usava uma corda com um nó a fazer de cinto. 
Não sei quem era, mas segui-lhe a voz que me dizia - Vem comigo ver as flores, até os teus pais te virem buscar, eles estão bem e tu também.
Eu fui de mão dada, reconfortado e em paz - as flores eram tão bonitas...

This evening I went with my parents, to see the St. Anthony Parade in Lisbon. 
The streets were wonderfully stirred, excited sounds mingled with the glow of lanterns and the colors and smells of the sardines and the traditional basil. 
I enjoyed everything I saw, walking at night is always magical. 
Returning home, I fell asleep in the back seat hearing the sound of my parents happy voices and the purr of the car. 
Suddenly I awoke, not knowing why, but as I was so sleepy I must have dozed off again. 
Later, I heard sirens, people  running ... I felt someone was taking me, but I went back to sleep.
 It was strange, I felt cold, I was afraid and wanted my parents and did not understand why I wouldn't open my eyes or even call for them. 
I began to get anxious and sweating. I wanted to move myself and scream but could not. What a strange dream was this? 
At that moment I felt a warm and rough hand, full of bulging veins, taking, my small and cold hand, gently in his hand. It was a big hand like my father's, but it wasn't his. 
I felt better, that gesture made ​​me more relaxed. I realized then that I was standing next to the man who wore a brown custom like a dress, using a rope with a knot around him as a  belt. 
I do not know who he was, but I followed his voice saying to me - Come with me to see the flowers, until your parents come get you, they are well and so are you . 
I went hand in hand, comforted and at peace - the flowers were so beautiful ...




domingo, 10 de junho de 2012

No dia de hoje sinto-me a fraquejar...mas não desisto nunca.
Ao rever alguns vídeos decidi partilhá-los aqui.



Empurre a sua vaquinha...



antes de tomar uma atitude, para teu belo prazer, calça os sapatos do outro...

faças o que fizeres, está sempre aberto a novas aprendizagens...




sexta-feira, 8 de junho de 2012

A tua voz
Texto Nina       Tela: Armando Rebelo

A tua voz
é como um rio
que beija as pedras com ternura.
Flui em tons pastel, 
delicada e sensível,
pelas veredas e enseadas da vida.
Perco-me 
na suavidade imensa dos seus contornos, 
reencontro-me
na firmeza infinita da sua bondade.



Mariza - Há palavras que nos beijam





quinta-feira, 7 de junho de 2012


Irmão Sol e Irmã Lua

                                            in: mundo-das-poesias.blogspot.com                                     Foto: Armando Rebelo


Irmão Sol e Irmã Lua
Raramente vos vejo e 

in: mundo das poesias


raramente oiço a vossa melodia
Preocupado com a miséria egoísta 
Irmão Vento e Irmã brisa
Abram meus olhos a visões puras e justas 
Para que eu possa ver a glória em meu redor. 
Eu sou uma criatura de Deus, d'Ele eu sou parte 
Sinto Seu amor despertando meu coração. 
Irmão Sol e Irmã Lua 
Agora eu vejo-vos, eu posso ouvir a vossa melodia
Tão enamorado que estou com tudo o que apreendo.
wonderwealthwisdom.blogspot.com

Brother Sun, Sister Moon  (Donovan)                     

Brother Sun and Sister Moon                                    
I seldom see you seldom hear your tune
Preoccupied with selfish misery


Brother Wind and Sister Air
Open my eyes to visions pure and fair
That I may see the glory around me.

I am God's creature, of Him I am part
I feel His love awakening my heart.

Brother Sun and Sister Moon
I now do see you, I can hear your tune
So much in love with all that I survey.


Donovan - Brother Sun, Sister Moon [fromFranco Zeffirelli's "Brother Sun, SisterMoon"] (1972)